Com a participação de famílias, iniciantes, praticantes experientes e autoridades, evento no Dia Internacional do Yoga reuniu pessoas em busca de qualidade de vida no Parque das Nações Indígenas

Foto: Neiba Ota

O frio intenso que tomou conta de Campo Grande neste domingo (21) não foi suficiente para impedir a realização da terceira edição do Festival do Yoga, no Parque das Nações Indígenas. A manhã começou com sensação térmica próxima dos 10 graus e ventos fortes, mas ainda assim reuniu praticantes e curiosos dispostos a experimentar os benefícios da atividade.

Entre eles estava a professora de pilates Kátia Silva, moradora do Bairro Mata do Jacinto, que participou acompanhada do marido, Marcelo Aires, e dos filhos Bernardo, de 5 anos, e Maria Isabel, de 3 anos. “É a primeira vez que estamos participando”, contou Kátia, enquanto acompanhava as atividades ao lado da família.

Kátia Silva e os filhos Bernardo e Maria Isabel (foto: Neiba Ota)

A presença de crianças, jovens, adultos e idosos reforçou uma das principais mensagens do festival: o yoga pode ser praticado por pessoas de todas as idades e diferentes níveis de experiência.

O evento é gratuito, promovido pela Fundesporte e pela Setesc (Secretaria de Estado de Turismo, Esporte e Cultura), em parceria com a Embaixada da Índia, o projeto Yoga para Todos, o Movimento Sadhaka, a Secretaria Estadual de Saúde e o Tribunal de Contas de Mato Grosso do Sul.

Para a presidente da Associação Yoga para Todos, Milena de Barros Fontoura, iniciativas gratuitas são fundamentais para ampliar o acesso à prática e mostrar que o yoga está ao alcance de todos. “Quando a atividade chega de forma gratuita, aberta e acolhedora, mais pessoas conseguem conhecer, praticar e perceber os benefícios para a saúde, o equilíbrio e a qualidade de vida”, afirmou Milena.

Milena de Barros e Naban da Fundesporte (Foto: Renan Kubota)

Uma prática que virou profissão

Para Alexandre Moraes, o Ale, de 34 anos, o yoga mudou completamente os rumos da vida. Formado em fisioterapia, ele conheceu a prática há cerca de dez anos e decidiu mergulhar no universo da modalidade. “Eu aprendi com aulas online do Carlo Guarani e passei a dar aula”, conta.

Hoje, além de professor, Ale é ciclista e pedala diariamente. Segundo ele, o yoga se tornou um complemento importante para a saúde e para o desempenho físico. “O yoga também ajuda muito nas articulações”, explica.

Ale que fez do ioga sua profissão (Foto: Neiba Ota)

Endorfina, equilíbrio e bem-estar

Quem dedicou a vida à divulgação da prática foi a monja Didi Shivanii, de 38 anos, integrante da Ananda Marga. Após anos praticando yoga, ela passou a viajar pelo mundo compartilhando os ensinamentos da filosofia milenar.

Segundo ela, os benefícios vão muito além da flexibilidade e do condicionamento físico. “O yoga consegue realmente proporcionar uma grande sensação de bem-estar. As posturas ajudam a harmonizar as secreções das glândulas e equilibrar os hormônios. Além disso, os mantras elevam nossa vibração e a meditação fortalece as conexões neurais, estimulando a produção de substâncias ligadas ao prazer e ao bem-estar, como dopamina, endorfina e serotonina.”

Para a monja, o yoga é um processo natural e acessível.

“É algo tão natural quanto respirar. Só precisamos de uma boa orientação. A minha alegria de estar aqui é poder compartilhar esse conhecimento com o maior número possível de pessoas.”

Apoio à expansão da prática

Entre os participantes também esteve o senador Nelsinho Trad (PSD-MS), médico e um dos apoiadores da expansão do yoga em Mato Grosso do Sul. Ao lado da esposa, Keilla Soares Trad, praticante da modalidade, ele destacou a importância da busca pelo equilíbrio físico, mental e emocional.

“É essencial para a gente viver bem. O yoga nos ensina a buscar o equilíbrio, sem extremos. É uma filosofia que procuro aplicar na minha vida, na medicina e também no meu mandato. Enquanto eu estiver no Senado, vou trabalhar para levar essa prática ao maior número possível de pessoas”, afirmou senador Nelsinho Trad.

Médico urologista e do trabalho, o senador Nelsinho ressaltou ainda que as práticas integrativas podem complementar os cuidados com a saúde e contribuir para a qualidade de vida da população.

Sua presença também simboliza a parceria construída nos últimos anos entre Mato Grosso do Sul e a Embaixada da Índia, que possibilitou ações como intercâmbios técnicos na área de yogaterapia e a ampliação de projetos relacionados ao yoga em escolas e programas de saúde pública.

Foto: Renan Kubota

Foto: Renan Kubota

Foto: Renan Kubota

Um convite para desacelerar

Praticante de yoga, Keilla Soares Trad acredita que um dos maiores ensinamentos da atividade é justamente a capacidade de desacelerar em um mundo cada vez mais acelerado.

“O yoga não cuida apenas do corpo. É também um exercício de conexão consigo mesmo, de perceber o próprio corpo, silenciar os pensamentos e abrir espaço para o bem-estar”, destacou.

Ela também defendeu a ampliação do acesso à prática por meio de iniciativas ligadas à saúde e à educação, permitindo que mais pessoas conheçam seus benefícios.

“Não existe idade para começar. Dos mais jovens aos mais experientes, todos podem encontrar no yoga um caminho para uma vida mais equilibrada.”

Foto: Renan Kubota

Para Keilla, praticar yoga é um presente que damos a nós mesmos.

“É uma oportunidade de receber a energia da natureza, da luz e da serenidade para viver com mais consciência e qualidade de vida.”

Com mais de dois mil anos de história, o yoga segue conquistando novos adeptos em todo o mundo. E mesmo em uma manhã marcada pelo frio intenso em Campo Grande, o Festival do Yoga mostrou que nunca é tarde para começar a respirar mais fundo, desacelerar e olhar um pouco mais para dentro.